quarta-feira, 2 de setembro de 2009

quando tudo acabou
ainda via a luz difusa por aí
marcando por um tempo
tua presença

agora
a noite deve vir
para dormirmos tranquilos
no clarão de outro afago

terça-feira, 1 de setembro de 2009

colibri


sambaqui

vendo a cidade do outro lado
tenho certeza
que a hora chega na hora certa

presentes a vida nos dá
se se tem olho aberto

vestígios
em cima do azulejo secular
prestígio
da pipa vindo do mar
vindo de algum lugar
ou das mãos de uma sereia




*


(Estamos merecendo tanto
e entendo o porquê
Orei ouá!)


___

Essa é para Leyd, Eduardo, Bruno e Denise, agradeço a existência de todos vocês que me fazem aprender. Agradeço ao universo por estar vivendo e poder encontrar suas lindas almas!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

parque temático


para bruno e eduardo






não consigo me zangar


rio logo em seguida
rio
logo em seguida cai no mar

rimos logo em seguida
arrumamos um bom marujo
nós e quem quiser apontar

e quem souber apontar

lápis são poucos pra tantas histórias
vou agradecendo
acenando da proa
amanhã estaremos onde tudo permanece


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

o vento de agosto sopra minhas feridas

tudo seca no varal

sem fingimento

eu quero é aprender de verdade

sete rotações

trazem à cidade

a sopa do espaço

lá no céu, Marte é Marte

e nenhum hoax o atinge

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

estou à espera
de alguém que não vai chegar
porque não existe

Memórias desenterradas do quintal




clique pra ver maior






No Centro Histórico de São Luís, uma casa com quintal. Sua mais nova dona, Marília de Laroche, passa a dedicar horas do seu dia para a revitalização desse espaço e a cada momento ela descobre um caco do passado: pedaços de loucas e azulejos das mais variadas épocas, do colonial ao contemporâneo. Quando me deparei com a caixa repleta deles, senti-me emocionada. Eu via ali a história de todos que um dia tiveram aqueles objetos em suas vidas, pessoas de muitas gerações que se foram, mas deixaram resquícios de sua existência.


As composições fotográficas aqui expostas – feitas no chão desta casa - são uma forma de valorizar cada uma dessas memórias, um apelo para desenterrar um rico patrimônio, cada dia mais sufocado. Desenterrar para deixar respirar o que ainda vive por guardar em si o fôlego dos que já passaram por ele. No meio, o homem encontrado quebrado, pois ainda precisa redescobrir o que fazia parte de si.




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Oração




Semana que vem


Dia que vem


Segundo que vem


Traga-me o infinito pausado


Dinâmica dos olhos que desgrudam


E vêem o Sol


Brilhando intacto na nuca de quem se ama



sábado, 8 de agosto de 2009

baiacu

Peixe listrado

pego-te com medo que tu guardas

para inflar a vontade de –mar,

a coragem traz a recompensa na hora certa.

Se me for permitido tocar a alma

da água sedimentada

viro carne.

quarta-feira, 29 de julho de 2009



Cócegas fazem ao descer a pele que antes não ria. A gravidade anseia um tombo, algo que tanto afunda quanto ressuscita. Pode ter certeza que eu só darei o que estiver dentro de mim, mas saiba que os meus anseios são tombos no infinito.

Eu quero apenas o que me é de direito.


domingo, 26 de julho de 2009

para Claudiana

o teu corpo leve de sonhos

tudo é leveza

na guerra que tu travas

cada vez que me olhas

***

nunca ficarás velha

pois o tempo é teu filho

que dorme acalentado nos teus braços

domingo, 19 de julho de 2009

grama

na humildade
os pés descalços caminham
massageiam a terra
a grama deixa ser tocada
na intensidade da vontade de quem pisa

quinta-feira, 16 de julho de 2009

sabedoria em toda casa tem

acredita quem quiser

no que vê ou sente

e por acreditar tanto

alguns não crêem

outros não sentem

quem de tanta superioridade

se fez bobo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Parabéns ao querido Urias Oliveira, que ontem fez 50 anos da melhor forma possível!


o seu corpo
é palco de mil almas

calmaria de um lago
repleto de peixes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Oh Lua!




clique nas fotos para vê-las maiores.

quarta-feira, 1 de julho de 2009


Quando o vazio é grande

uns botam nele um tabuleiro de damas

outros andam pelo fio, rolam pela grama.

Eu lavo os cabelos com xampu de camomila

no more tears.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Última prosa de junho

Na crescente de junho corto os cabelos. Vejo pessoas se jogando para provar alguma coisa que está longe delas. Entendo as pessoas, me entendo, de longe, olhando tudo e sendo olhado. Vários desencontros. Chovia pontas dos meus cabelos, uma chuva levemente dourada. É a metade do ano que passou. Meus cabelos estão longos e eu, longamente cortado, para crescer.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Retratos de São Pedro


Acordar


Recém acordada, desço com o sol subindo pro largo de São Pedro. A primeira coisa que vejo, infelizmente, foi um corpo estirado no chão da Africanos e uma mulher desesperada do lado; escuto os comentários do motorista da van (filosofia, como diz minha mãe) e rezo calada por aquelas pessoas. Desço e caminho prudentemente para também não ser atropelada, nem assaltada, a câmera obviamente não levaria sozinha.



A igreja


Subo a escadaria do lado de um miolo que se arrasta ajoelhado. Todas as muitas câmeras o fotografavam, era tudo muito fotografável, aliás. Ontem, quando ia para a Praia Grande, vi de longe o padre celebrar missa dentro da capela. Hoje era outro cenário: miolos, senhoras, crianças, cazumbas pediam a benção pro santo que pousava para as fotos dentro do seu barquinho. Os velhos tinham esparadrapos nos dedos de espancar as costas de suas mãos. A “esbórnia” convivendo com o corpus Christi, talvez. Um homem vomitava no poste com o amigo do lado. Vários conhecidos virados e alguns que, como eu, tinham optado por ir só pela manhã.


Café


Encontro com Den e tomo um café com ela. Descemos para subir de novo. Entre dois sotaques, sinto dois ritmos bem diferentes se misturarem em mim: o frenesi da zabumba e a maresia da matraca. Estávamos bem no meio, na interseção. Às vezes me concentrava mais em um, depois mais no outro, mas fui seduzida pelas zabumbas que estavam na frente e resolvi acompanha-las . Não sei que boi era aquele, pouco importava, estava nele dançando e me certificando que a dança une de fato corpo e espírito.


O velho do chapéu


Um velho surge do nada pra me cumprimentar. Põe seu chapéu na minha cabeça. Ele olha pra Denise que fotografava e tiramos uma foto. Ele pede um pouco da minha água, bebe, e prosseguimos na escada que enquanto mais alta, mais estreitos ficavam os degraus e eu dançava bem menor, mais bem maior eu sentia São Pedro, tanto que quando estava quase na bordinha do seu chapéu, a capela, começa a chover.



A chuva


Todo mundo tenta escapar. Como já estava ali, na igreja praticamente, mais uma vez, senti-me protegida pelo mesmo santo que mandava uma aguinha. A igreja agora estava transtornada e eu não desgrudava da percussão, até sair dali e encontrar quase todo mundo encharcado. Encontro uma velha do terreiro da rua que me diz que completa hoje 68 anos. Será que eu chego lá?


Santa Fé


Santa Fé é o nome mesmo pro boi. Depois de muito observá-lo da calçada, percebi que tinha um paredão de chapéis e fui lá ver o que tinha atrás. Dois bois no chão e mais umas cinco mulheres ajoelhadas. A dona do boi rezava serena. Aquilo parecia uma cúpula de tranquilidade no meio da bagunça, senti uma alegria tão forte que chorei, várias pessoas choravam também. Aí surge do nada uma louca que resolve atravessar a rua bem no meio dos dois bois e claro que começou o bate boca. “Ninguém respeita mais nada!”. Ela nem sabia o que estava acontecendo e respondeu bêbada “Ah, vocês tão tirando foto, né?”. O boi chegou fazendo carinho em mim e eu fiz nele, mas quem eu vejo? Roseana e o pai no couro dele; mas não tinha como ficar com raiva...


Casas e castelos


Na procissão de cazumba tinha tudo, até castelo na cabeça de maranhense. Fiquei pensando como aquilo faz parte do imaginário deles... As casas das cabeças estavam enfeitadas com CD's. Quais músicas estariam ali?


O Mar


O Mar estava lindo hoje, os barquinhos enfeitados, pena que não deu de acompanhar a procissão marítma. Mas é aquela coisa mesmo: navegar é preciso, viver não é preciso.


terça-feira, 23 de junho de 2009


Seu menino,

como podes ser um menino?

Tu que és o fogo que braseia

espocando a madeira

na hora do foguete.


Até teria pena de ti

se não soubesse da tua muralha


menino


não sei se tu és

se de brincadeira,

podes aniquilar o injusto.


Susto


e assim tu me pegas no colo


e fica acariciando minha lã...

domingo, 21 de junho de 2009

tudo foi feito pelo sol


Cynthia Blau me enviou essa poesia que publico aqui:

VIVA OS QUE NÃO SÃO

Em estradas surpreendentes

Como estrelas teleguiadas

Em caminhos monótonos

Calçadas aguadas

campos que de tão verdes são sozinhos

Em um espaço sem saber

O desespero dos que percebem

O que ninguém vê.

Dos que sentem

O que alguém crê

Um pouco cientista

Sem saber

E assim as coisas correm

Param

E são quantos mundos

Desse lado que sabemos?

Oh vida amiga

De parceiros soltos

De uma solidão junto com o mundo

De uma alegria por ser assim

Pessoa que acredita

Nos que não são

E são tantos

Que vivem esperando

No meio da confusão

um menino me viu desnorteada

e só com uma flôr

Acalmou

Conselho,

cobro de você um olhar no horizonte:

Pinte de urucum;

escorregue na favela;

capine o jardim;

caia da construção; seja um que não é,

viva os que não são

sábado, 20 de junho de 2009


Todos os sentimentos são beliscos.




Peraltice,


quer


se apoderar do mundo que


quer.




Sabe-se lá o que se espera


um bolero, de repente...

segunda-feira, 15 de junho de 2009




quero o amor que faça tranças
na mesa da cozinha
a carta aberta
o peito certo

um amor que derreta a estética plástica
e exale perfume

da rosa, a sabedoria

nenhum vazio,
lacunas são corredores para nós

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Frutos de ouro
corríamos brigando
queimávamos fogueiras
com nossos cabelos louros.

Estou hoje com frutos no peito
esperando o tesouro
uma goiaba ou talvez
um besouro,

Amo o instante que vivo
amando os passos
passados
e futuros

estouro.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

´Demostrações de Fé Cotidiana






Imagens em menos de 24h.



Alguma coisa deve tá por aí, plumando no ar, ou dormindo dentro da terra.

Certamente esta coisa existe mesmo que ninguém explique direito, porque o segredo tá escondido na cabeça de cada um.

A sabedoria é a serpente.


Como o divino esmaga sua cabeça?
.