vazio de cama
de quarto e sala
uma ausência que me pergunto
se ando sentindo
mais do que a presença
em si
caio em mim
vejo-me, de fato
mas nos vejo
que me pergunto se posso
como posso
assim me apegar
na minha carência
você é a carícia
que tanto me faz
tranquilizar
segunda-feira, 5 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
de volta a terra
pupilas dilatadas
olhos arreganhados
um certo desespero,
nada mudou,
nem mudará
nesse certo ponto de encontro
da mediocridade com a ignorância
já vou voltar
para outros
cantos de ruas
cheias de despachos
com boas cachaças e petiscos
busca de soluções
olhos fechados
e nenhum tato
nenhum trisco
de esforço
nem labrador
pra guiar esse bando de cegos
cheio de olhos
pupilas dilatadas
olhos arreganhados
um certo desespero,
nada mudou,
nem mudará
nesse certo ponto de encontro
da mediocridade com a ignorância
já vou voltar
para outros
cantos de ruas
cheias de despachos
com boas cachaças e petiscos
busca de soluções
olhos fechados
e nenhum tato
nenhum trisco
de esforço
nem labrador
pra guiar esse bando de cegos
cheio de olhos
terça-feira, 30 de março de 2010
o falso ouroboros
sexta-feira, 19 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Nas manhãs de cada dia, ela se levantava para o café. Leite.
Misturava na água o pó até dissolver, paciência.
O cheiro da manhã de sono, antes do banho, misturavam-se ao café e leite.
Ela fazia tudo para mim e eu nem sei se eu faço tudo para mim, ou se realmente ela fazia tudo para mim... Minha mãe ainda é a mesma e eu agora não sou só a filha.
O passado parece um sonho que nunca consigo lembrar direito. Mas é fácil de sentir o que é.
Será suficiente apenas sentir?
Tantas obrigações confundem as mulas paradas na ladeira.
Cavalo é cavalo e tem até que penteia seus cabelos.
Vai saber da natureza dos homens...
Misturava na água o pó até dissolver, paciência.
O cheiro da manhã de sono, antes do banho, misturavam-se ao café e leite.
Ela fazia tudo para mim e eu nem sei se eu faço tudo para mim, ou se realmente ela fazia tudo para mim... Minha mãe ainda é a mesma e eu agora não sou só a filha.
O passado parece um sonho que nunca consigo lembrar direito. Mas é fácil de sentir o que é.
Será suficiente apenas sentir?
Tantas obrigações confundem as mulas paradas na ladeira.
Cavalo é cavalo e tem até que penteia seus cabelos.
Vai saber da natureza dos homens...
domingo, 28 de fevereiro de 2010
é de manhã, olho pras paredes
penso logo
o dia só tem vinte e quatro horas
algumas oito de rede
e o que sobra
talvez nem dê de fazer o que eu queria
ela ali passou alguns anos para desgastar
e eu agora uns segundos para aprender
urgência sábia
o sabiá das laranjeiras canta na janela
você toca nossa música
e eu grito minha clemência
fogo
sunshine
sun
day
penso logo
o dia só tem vinte e quatro horas
algumas oito de rede
e o que sobra
talvez nem dê de fazer o que eu queria
ela ali passou alguns anos para desgastar
e eu agora uns segundos para aprender
urgência sábia
o sabiá das laranjeiras canta na janela
você toca nossa música
e eu grito minha clemência
fogo
sunshine
sun
day
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
neste dia nublado
só tuas pétalas clareiam este quarto
este saco cheio
da areia encarnada
incendeia a plantação
dos montes de onde vieste
humana a mão que te semeou
uma, somente
de alguém calado, pensativo
de pele queimada por quem te rege
para ti não existe nuvem
pois tu estás abaixo de todo céu
cantarolando
gira solitário
porque Sóis estamos
sobre a terra
girando
só tuas pétalas clareiam este quarto
este saco cheio
da areia encarnada
incendeia a plantação
dos montes de onde vieste
humana a mão que te semeou
uma, somente
de alguém calado, pensativo
de pele queimada por quem te rege
para ti não existe nuvem
pois tu estás abaixo de todo céu
cantarolando
gira solitário
porque Sóis estamos
sobre a terra
girando
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
a folia da realeza
Marco Antônio, Cesar, Cleópatra
as mais industrializadas princesas
vassalos
alados
fadas e pássaros
na terra, ciscando o chão
brilhos, paetês, de todas as cores
penas de faisão
marinheiros e marinheiras
uma enorme embarcação
sólida
velhas bruxas entusiasmando as crianças
odaliscas e marcaradas salvas
pelo justiceiro Zorro
pierrôs e colombinas
abelhas e joaninhas
voando
nas cores de todos os adereços
que resumem em uma semana
o ano
a vida
de cada um embaixo
ou por cima
da fantasia
Marco Antônio, Cesar, Cleópatra
as mais industrializadas princesas
vassalos
alados
fadas e pássaros
na terra, ciscando o chão
brilhos, paetês, de todas as cores
penas de faisão
marinheiros e marinheiras
uma enorme embarcação
sólida
velhas bruxas entusiasmando as crianças
odaliscas e marcaradas salvas
pelo justiceiro Zorro
pierrôs e colombinas
abelhas e joaninhas
voando
nas cores de todos os adereços
que resumem em uma semana
o ano
a vida
de cada um embaixo
ou por cima
da fantasia
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
fauvismo
raios vem lá do Sol para cá
atravessam a atmosfera
as folhas das árvores
caem em nós
pulando o carnaval
euforia
feras
alegria ou
desespero
sumos de sorrisos
contaminando o aterro
a praia
a baía
o movimento dos corpos
fantasiados
do que fomos
e do que seremos
adiante!
atravessam a atmosfera
as folhas das árvores
caem em nós
pulando o carnaval
euforia
feras
alegria ou
desespero
sumos de sorrisos
contaminando o aterro
a praia
a baía
o movimento dos corpos
fantasiados
do que fomos
e do que seremos
adiante!
aterro do flamengo, carnaval 2010. foto revelada e escaneada em um repartição pública qualquer.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
procuro uma casa
a minha está muito longe
e por isso
talvez nem seja mais
minha
espero que consiga
limpar o que há
espero que eu siga
abrindo suas janelas coloridas
mas que nada morra de calor
nenhuma planta
chega de horror
uma casa com jardim
nem que seja um cantinho
lá está, me esperando
nascendo
uma casa
e meu caminho
a minha está muito longe
e por isso
talvez nem seja mais
minha
espero que consiga
limpar o que há
espero que eu siga
abrindo suas janelas coloridas
mas que nada morra de calor
nenhuma planta
chega de horror
uma casa com jardim
nem que seja um cantinho
lá está, me esperando
nascendo
uma casa
e meu caminho
sábado, 13 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
acordo cozinhando
o Sol impiedoso entra sorridente
pregando a mesma peça
de sempre
há milhões de anos
e eu que
por aqui
estou só
de passagem
desço a Siqueira Campos
pra mergulhar
no Oceano que tudo une
e nos faz um grão de pó
Sol, sal, suor
várias mãos me entregam um clamor
e uma delas
tremendo o Parkinson
me aponta a minha disfunção motora
e minha fragilidade
o Sol impiedoso entra sorridente
pregando a mesma peça
de sempre
há milhões de anos
e eu que
por aqui
estou só
de passagem
desço a Siqueira Campos
pra mergulhar
no Oceano que tudo une
e nos faz um grão de pó
Sol, sal, suor
várias mãos me entregam um clamor
e uma delas
tremendo o Parkinson
me aponta a minha disfunção motora
e minha fragilidade
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
bambu
flexível
potência
não perderei
tão distante quanto o Japão
medieval
alongo-me
e pego a fruta de ouro
que caiu no chão
e brota na minha terra
no rio
pepitas e pedregulhos
tremo em folhas
eu
o bambu
potência
não perderei
tão distante quanto o Japão
medieval
alongo-me
e pego a fruta de ouro
que caiu no chão
e brota na minha terra
no rio
pepitas e pedregulhos
tremo em folhas
eu
o bambu
a virada
junco
o som desce pelas pedras
poucos grãos faltam
para acabar o ano
toda água desce
permanecendo
anos
me perco
para me achar
em breve
no ano
novo
ano
o som desce pelas pedras
poucos grãos faltam
para acabar o ano
toda água desce
permanecendo
anos
me perco
para me achar
em breve
no ano
novo
ano
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
minha idade
a idade
de um carro velho
de muitas vidas ou nem a metade
de uma
de muitos sonhos que se foram
acreditando no futuro
uno
unimo-nos outra vez
é assim esse sumo
que alimenta a matéria que se move
e por se mover
agradeço a ela
às labaredas que nos queimam
e por isso purificam
às madrepérolas e perles
e às conchas surdas
que as engravidam
e ao mar, que gere tudo isso
e que um dia, também
era tudo o que tivemos
um dia, não tivemos membranas
por isso, mesmo desprotegida
não temo
a idade
de um carro velho
de muitas vidas ou nem a metade
de uma
de muitos sonhos que se foram
acreditando no futuro
uno
unimo-nos outra vez
é assim esse sumo
que alimenta a matéria que se move
e por se mover
agradeço a ela
às labaredas que nos queimam
e por isso purificam
às madrepérolas e perles
e às conchas surdas
que as engravidam
e ao mar, que gere tudo isso
e que um dia, também
era tudo o que tivemos
um dia, não tivemos membranas
por isso, mesmo desprotegida
não temo
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
o formigueiro
dentro do epiderme da terra
túneis são para seguir
sem espera
o que me apetece é
muita coisa que se foi
mas mais ainda
as pegadas não pisadas
a preparação age
e urge nos ponteiros
nossa pequenez
do solo surge
carregando folhas e grãos
aqueles retratos da sala
dizem adeus
sem pedir perdão
e eu vou
carregando minhas vontades
em forma da prudência
túneis são para seguir
sem espera
o que me apetece é
muita coisa que se foi
mas mais ainda
as pegadas não pisadas
a preparação age
e urge nos ponteiros
nossa pequenez
do solo surge
carregando folhas e grãos
aqueles retratos da sala
dizem adeus
sem pedir perdão
e eu vou
carregando minhas vontades
em forma da prudência
sábado, 19 de dezembro de 2009
para atemporal para Balthus

Me escolhe, por favor
pra ser sua menina, anjo, quadro
sua fama
sentada na cadeira
ou na cama
tanto faz,
se eu for
sua menina
sina
sua transição
minha
sua declaração
prum jornal da época
Conde, deixa eu ser, por favor
sua célula de vontade
sua pétala antes de murchar
me escolhe, sem eu pedir
mais uma vez
por favor
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)







